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O mundo está ficando chato ou apenas mais crítico e bem informado?

Hoje uma das afirmações que eu mais leio ou escuto é: O mundo está ficando cada dia mais chato! Será mesmo que é verdade?

Por: Carlos Sabo Cantanzaro • 09 março às 23:43 na Categoria: Comportamento comentários
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Hoje uma das afirmações que eu mais leio ou escuto é: O mundo está ficando cada dia mais chato! Será mesmo que é verdade?

Bom, antes de eu começar o texto, quero avisar uma coisa. Tudo que está escrito aqui é fruto da minha opinião pessoal. Não existe certo ou errado, apenas meus conceitos e minhas vivencias! Então se você não concordar comigo, ótimo. Vamos começar um bate papo nos comentários!

Eu acho que só o fato de eu ter que colocar um aviso como o que fiz acima no meu post, do meu blog pessoal, já responde à pergunta deste texto. O mundo está ficando chato? Para mim a resposta é clara: NÃO!

O mundo não está ficando mais chato e sim talvez, mais crítico, e de forma nenhuma isso é ruim para nós como sociedade. Além disso, cada dia mais o mundo tem se tornado um lugar melhor para todos.

Eu não sou de esquerda nem de direita e para ser sincero, não vejo representatividade política em nenhuma das duas opções. Pois, não estamos tendo boas referências para se guiar. Justamente por isso, este texto não trata de visões políticas e sim de uma análise a respeito da evolução da comunicação e da tecnologia e de como o acesso a informação deixou as pessoas mais críticas.

Ou seja, esse texto é sobre pessoas, não sobre partidos ou lados políticos, não sejam chatos! Pera…

Vamos voltar um pouco no tempo?

Para que possamos entender como a Internet e o acesso a informação transformou o senso crítico das pessoas é preciso voltar no tempo, para uma época em que a internet não existia ou não estava totalmente implementada. Porém, minha ideia aqui não é contar a história da Internet ou da evolução da tecnologia, até porque isso daria um livro. Eu pretendo mostrar alguns pontos do passado e compara-los com os dias atuais, para que a gente possa sentir de fato, a diferença entre o mundo atual e o mundo do passado.

Apresentei alguns dados e números nos parágrafos a seguir, eles foram retirados do livro: O Novo Mundo Digital – Você está nele, do autor Ricardo Neves. Inclusive aconselho muito a leitura desse livro.

Um dos primeiros fatos a se levar em consideração ao comparar o passado com os dias atuais é o crescimento populacional. Até meados de 1950 a terra abrigava cerca de 2.5 bilhões de habitantes, hoje esse número já passa de 7.2 bilhões. É quase o triplo em menos de 70 anos!

O crescimento populacional é importante pois ele comprova um fato muito interessante, ao contrário do que os noticiários falam, o mundo hoje está muito mais pacífico do que antigamente, visto que, apesar do número de habitantes ter quase triplicado, nenhuma dessas novas vidas lançadas no mundo viram uma guerra mundial até agora. Nem ao menos estão vivendo sobre o temor de um holocausto nuclear.

Além do crescimento populacional, outra informação é muito importante para que a gente possa entender o que mudou nos dias atuais em comparação com o passado: a expectativa de vida.

Até o começo de 1900, a expectativa de vida das mulheres ao nascer era cerca de 49 anos nos EUA. Já no brasil, o número era bem menor, cerca de 33,5 anos.

A partir do século XVIII, essa realidade começo a mudar com o início da Revolução Industrial. Durante a revolução ocorreram uma uma série de modificações positivas, tais como melhorias na alimentação, avanços significativos na medicina, conquistas sociais e de saneamento, que garantiram um aumento na qualidade e expectativa de vida.

Atualmente, a expectativa de vida dos brasileiros subiu para 75,2 anos e estima-se que, quem nasceu por volta dos anos 2000, já possa ultrapassar tranquilamente a marca dos 80 anos, de forma ativa e saudável!

Talvez o mundo esteja ficando chato porque agora temos mais gente vivendo nele e, essa gente toda vai viver um bocado? Acredito que não né…

Outros fatores históricos que mudaram ao longo do tempo foram a questão do trabalho infantil, seguridade social (que não existia até o século XX). A educação, que era restrita, dados estimam que no século XIX, somente metade dos jovens entre 5 e 19 anos estava na escola. Atualmente esse número já passa de 90%.

E claro, o papel das mulheres e das minorias sociais (parcela da sociedade que sofre desigualdade ou exclusão sociais, mesmo quando constituem a maioria numérica), ganhou protagonismo nessa nova era digital. O que estava muito longe de ser realidade no passado! Inclusive, gosto sempre de recomendar a série “MAD MAN”, da Netflix, para todos, ela faz um panorama sensacional a respeito da sociedade americana no período entre 1950 e 1960. Mad Man também retrata o quanto as mulheres e minorias eram subjugadas naquela época (e isso ainda não mudou totalmente).

Voltando para o presente

Essa realidade ainda não mudou completamente, mas hoje os movimentos sociais têm ganhado muita força e voz, tanto nas redes como na proporia mídia. Talvez essa mudança de comportamento e essa ascensão das minorias, não tenha sido causada apenas pela chegada da internet na vida do ser humano. Mas a vida em rede colaborou muito para essas mudanças, pois com a chegada da Internet, as pessoas ganharam novas formas de informação, o que antes era monopolizado pela grande mídia hoje está na mão dos consumidores e produtores intendentes, como eu e você.

Então no novo mundo digital, em que estamos engatinhando, o monopólio da informação está nas mãos do povo, não da mídia. Esse é um dos motivos que, muitos acreditam ser a causa de o mundo estar mais “chato”. Pois, a informação ganhou novas fontes e agora, quem dita a regra do jogo não é mais a mídia. É a minoria que não tinha voz.

Com isso, muitos paradigmas foram quebrados e muitos comportamentos tidos como “normais”, foram confrontados e são até hoje. É natural que essa mudança cause desconforto e faça com que muitas pessoas recuem e critiquem o mundo atual, até mesmo indo para o único caminho provável, que é esbravejar e reclamar o quanto o mundo está ficando “chato”. Porém o que a gente pode ver com a comparação do passado, as estão ficando mais críticas e bem informadas e isso é ótimo!

Muitas pessoas que compactuam com o pensamento de que o mundo está ficando mais chato, acreditavam que todo o “mimimi” das mulheres e das minorias não poderia de forma alguma impactar a forma com que nós vivemos, porém, isso é outra realidade que está se mostrando falsa a cada dia.

Grandes marcas como a Coca-Cola têm incorporado em suas campanhas, pensamentos e ações que reforçam e dão voz as minorias. Ainda hoje (9 de março) a Skol fez uma publicação assumindo o passado machista e ressaltando a importância de evoluir. E a Renault lançou uma campanha, muito provocativa, com o slogan “#EuDirijoComoMulher”, mostrando que na verdade as mulheres dirigem melhor que os homens.

Em novelas e filmes tem se introduzido cada vez mais as minorias e aumentando a representatividade, como o recente “beijo gay” (o certo é só beijo, pois beijo é beijo), no episódio 26 da 2ª temporada de “Star vs As Forças do Mal” da Disney. Além de outras produções como “Star Wars o Despertar da força” onde a protagonista foi uma mulher forte e independente.

Isso são apenas alguns exemplos, mas sendo otimista, cada vez mais essa representatividade vai ser comum, e sinceramente espero que isso aconteça de forma acelerada, pois só temos a ganham como sociedade com essa inclusão.

Então apensar de muito falarem que o mundo está ficando chato, eu me pergunto sinceramente, para quem? Para mim? Não, eu apoio a inclusão; para as minorias? Não elas estão ganhando cada dia mais voz; para as mulheres então? Acredito que não também, pois elas também estão ganhando mais espaço de luta e conquistando direitos, então quem sobrou?  Aqueles que usavam a figura dos oprimidos para fazer humor, aqueles que usavam a mulher como objeto para vender cerveja? Talvez, mas qual a importância de o mundo ficar chato para eles? Nenhuma.

Agora sendo um pouco menos otimista, apesar de todos os avanços na comunicação e acesso a informação que tem mudado o mundo de forma positiva, ainda a muito o que se mudar, principalmente no que se refere a nós mesmos. Eu particularmente busco não me apegar muito a conceitos e ideias, quem me conhece ou quem se der o trabalho de revirar minhas redes sociais vai encontrar um passado tenebroso lá do qual não me orgulho, tal como piadas machistas ou que ofendem alguma minoria, porém, procuro mudar sempre!

A questão é, precisamos sempre buscar informação e evoluir, pois, só o conhecimento pode mudar a forma com que a gente vê o mundo e aceita as diferenças, eu procuro fazer isso um pouco todos os dias, então hoje ao invés de ver o mundo como um lugar mais “chato” eu vejo ele como um lugar mais crítico, principalmente em relação a mim mesmo e minhas atitudes, ou seja a auto critica.

Porém, se você chegou até aqui, e ainda acha que toda essa evolução não é motivo para justificar que o mundo está mudando para melhor. Será que você não parou para pensar, que talvez só você esteja ficando mais chato e não o mundo?

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