Por que a campanha “Gente boa também mata” deu tão errado?

O Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil causou polêmica nas redes sociais com sua nova campanha cujo o slogan é “Gente boa também mata”.

A ideia da propaganda era chamar a atenção para o fato de que pessoas que dirigem usando o celular, embriagadas, em alta velocidade, que fazem ultrapassagens perigosas e irregulares ou então que não usam o cinto de segurança, podem acabar causando acidentes e gerar riscos a própria vida ou a de terceiros, mesmo que a índole da pessoa em questão seja boa. Porém, a comunicação da campanha foi mal interpretada e gerou debates nas redes sociais.

Veja algumas das peças da campanha

Vídeo:


Outdoor:

Gente boa também mata

Vamos bater um papo sobre essa campanha “Gente boa também mata”

A ideia da campanha era gerar conscientização e motivar as pessoas, até aquelas que se juntam “cidadãos modelos”, a terem mais cautela no transito, no entanto, o que aconteceu de fato foi um sentimento de repulsa generalizado que dividiu as opiniões nas redes sociais. Mas porque a campanha gerou esse sentimento e não o proposto?

Na minha opinião, a resposta simples: ninguém quer se enxergar como fora de um modelo de cidadão ideal, sendo mais claro, você se vê como uma pessoa ruim? Obviamente não (talvez não tão obvio assim, pra ser sincero), nós temos o costume de ver o melhor de nós mesmos! E foi exatamente nessa ferida que a campanha tocou: o ego!

Ao mexer com o ego das pessoas, a campanha perdeu o foco principal que era conscientizar e passou a ser uma ofensa a todos que se enquadravam dentro do perfil daqueles que estavam sendo usados como exemplo de modelo, como aquelas pessoas que resgatam animais, e em uma simples frase, se sentiram possíveis assassinos. Como não ficar mal por isso?

Minha opinião pessoal a respeito de onde a campanha errou

Eu não sou publicitário, trabalho com mídias sociais e sou um entusiasta de marketing, mas na minha opinião, a campanha errou a mão na frieza das palavras, ao colocar, por exemplo, “Quem resgata animais na rua também pode matar” em primeiro plano e só depois, em letras pequenas, “não use celular ao volante”. E errou porque depois da pessoa ler o enunciado, o tiro no ego já foi dado e todo o resto para de fazer sentido! Talvez uma simples inversão das palavras poderia ter dado um resultado totalmente diferente!

Ou seja, focar primeiro no objetivo da campanha, “Não use o celular no volante” e então depois dar a “paulada”, talvez de uma forma mais amena: “Até quem resgata animais na rua pode ser vítima do descuido e matar”, como eu disse, não sou publicitário, mas dessa forma, acredito que teria sido mais suave e ao mesmo tempo teria transmitido a ideia de que até você, pessoa boa e de coração puro, pode matar uma pessoa ao dirigir falando no telefone!

Mas a campanha “Gente boa também mata” faz sentido?

Na minha opinião, apesar do fracasso nas palavras, a campanha faz sentido, nós deveríamos focar um pouco mais na ideia central dela, conheço muitas pessoas, que são exemplos de seres humanos, mas que dirigem no celular, que bebem uma “cervejinha” e saem de carro, na verdade, até eu já fiz isso! E sim, estou errado!

Na realidade, a gente nunca pensa que pode matar alguém, o sentimento e de que nunca vai acontecer esse tipo de coisa com a gente, mas a realidade é que de fato acontece! Então porque não se prevenir! Acho que esse era o espirito da campanha e esse deveria ser a mensagem entendi por nós.

Resumidamente: Para de fazer merda, por que um dia, por mais que você seja a pessoa mais fofa do mundo, vai dar ruim e você vai acabar se matando ou matando alguém! (Seria maravilhoso se eles pudessem escrever assim).

E você qual sua opinião sobre a campanha? Discorda de algo que falei? Comente!